Depósito judicial: o que é, para que serve e como funciona na prática

Quando pessoas ou empresas se envolvem em processos, sempre surgem diversas dúvidas sobre os autos do processo. Entre elas, está o depósito judicial.

Sendo uma forma de garantia que busca proteger as partes envolvidas em um processo, o depósito evita prejuízos mediantes conflitos – mitigando, inclusive, eventuais danos à reputação da empresa.

Neste artigo, você entenderá o que é depósito judicial, para que serve, quando é exigido, como ele funciona na prática e quais são os impactos mais comuns, especialmente para empresas.

O que é depósito judicial? 

Depósito judicial é o valor pago por uma das partes envolvidas em um processo para garantir o cumprimento de ordens judiciais ou viabilizar um recurso, com o principal objetivo de evitar inadimplências.

Esse é um mecanismo aplicado em ações judiciais, onde o montante fica guardado até que o juiz setencie a decisão – sendo espontâneo ou obrigatório.

Segundo a Lei Complementar n. 151/2015, o depósito deve ser realizado em instituição financeira oficial federal, estadual ou distrital, e somento o Juiz pode do caso poderá ter acesso. Na prática, o dinheiro não é direcionado automaticamente para a outra parte no momento do depósito. O valor fica bloqueado até que o juiz autorize a movimentação, por alvará ou ordem, ou até a decisão final da destinação. 

Para que serve o depósito judicial

O depósito judicial é usado para:

● Garantir uma execução/cobrança enquanto a discussão continua: reduzindo risco de atos constritivos mais severos).

● Suspensão de cobranças: permitindo que o devedor questione dívidas fiscais, por exemplo

● Cumprir decisões sem assumir um pagamento definitivo: dependendo do caso e da forma como o processo é conduzido).

● Viabilizar atos processuais, como recursos que exigem depósito específico (ex.: situações na Justiça do Trabalho).

Em quais situações o depósito judicial é exigido

As situações variam conforme a natureza do processo, o tipo de obrigação e a estratégia jurídica. As mais comuns são:

Ações tributárias e discussões fiscais

Em disputas tributárias, o depósito do montante integral pode ter efeito relevante para suspender a exigibilidade do crédito tributário, evitando medidas de cobrança enquanto a discussão judicial acontece (desde que observados os requisitos legais e processuais).

Execuções cíveis e cumprimento de sentença

Em cobranças judiciais, o depósito pode:

● Garantir o juízo: permitindo discutir a execução com menos risco de bloqueios sucessivos

Ser feito para pagar e/ou garantir os valores discutidos, a depender do caso e da ordem judicial.

● Justiça do Trabalho: depósitos específicos, como o recursal

Na esfera trabalhista, existe a figura do depósito recursal (com regras próprias), que não se confunde com qualquer depósito “comum”: ele é uma exigência legal ligada à interposição de determinados recursos, com limites e finalidade definidos.

Consignação em pagamento

Quando há dúvida sobre quem deve receber, ou quando o credor cria obstáculos ao recebimento, a parte pode depositar judicialmente para se proteger de mora e discutir a quitação conforme o rito adequado.

Qual é a diferença entre depósito judicial e pagamento definitivo?

As duas opções geram, normalmente, dúvidas. Mas cada uma acontece em determinado momento, eles são: 

Depósito judicial: o dinheiro fica sob guarda do juízo, e a outra parte não recebe automaticamente. A destinação depende de decisão judicial (ou acordo homologado).

● Pagamento definitivo: o valor é transferido ao credor como quitação (total ou parcial), encerrando a obrigação nesse momento. 

Na maioria dos processos, o depósito funciona como garantia. Se ao final a pessoa ganha, ela pode reaver o valor, caso contrário, o depósito é convertido em pagamento para a parte vencedora. 

Como funciona o depósito judicial na prática

Embora os detalhes mudem de acordo com tribunal e sistema, o passo a passo do fluxo do depósito judicial costuma ser:

Identificação da necessidade: ordem do juiz, estratégia para suspender cobrança ou garantir execução, requisito recursal etc.

Emissão de guia ou ordem de depósito: vinculada ao processo e ao juízo.

Pagamento da guia no banco indicado (conveniado) ou via canais eletrônicos, conforme regras locais.

Anexação do comprovante no processo (momento importante para evitar alegações de descumprimento).

Vinculação ou validação do depósito: conferência de dados (processo, parte, valor, código/receita, competência).

Movimentação futura somente com ordem judicial: levantamento, transferência, conversão em pagamento, liberação parcial etc.

Principais dúvidas sobre depósito judicial

O depósito judicial rende juros?

Em geral, o índice aplicável pode variar, por isso, em disputas relevantes, vale conferir a norma, o local e a jurisprudência aplicável ao seu caso.

Quem pode sacar (levantar) o depósito?

Somente quem tiver autorização judicial (via alvará/ordem de transferência), normalmente a parte vencedora, ou a própria depositante se a decisão permitir a devolução.

Posso substituir depósito por seguro garantia ou fiança bancária?

Em muitos cenários, sim, mas depende do tipo de ação, do entendimento do juíz e dos requisitos legais. Para empresas, essa troca é frequentemente analisada por questões de impacto no caixa e custo financeiro.

O que acontece se eu não fizer o depósito quando exigido?

Pode haver consequências processuais, como:

● Restrições para recorrer;

● Intensificação de atos de constrição (bloqueios e penhoras);

● Incidência de multa e encargos, conforme o caso.

Quais são os impactos do depósito judicial para empresas?

No contexto dos riscos corporativos, depósito judicial costuma significar:

Pressão de caixa e capital de giro: dinheiro fica indisponível, às vezes por anos.

● Efeito contábil e de compliance: pode exigir reclassificações e evidências de controles (dependendo da materialidade).

● Estratégia processual: garante previsibilidade, mas pode não ser a opção mais eficiente vs. outras garantias (quando aceitas).

Gestão de passivo: depósitos pulverizados em muitos processos aumentam o custo operacional (conciliação, auditoria, conferência de guias, atualização de valores).

Quais são os erros comuns relacionados ao depósito judicial?

Depositar valor incorreto: sem atualização, sem multa e encargos quando aplicável – ou além do necessário;

Usar guia ou código errado ou não vincular corretamente o depósito ao processo: erro que pode gerar retrabalho e risco de descumprimento formal;

Não juntar o comprovante no prazo ou juntar documento ilegível e incompleto;

Tratar como pagamento definitivo sem cuidado jurídico: impacto na estratégia, acordos e alegações no processo;

Não acompanhar a possibilidade de levantamento após decisões parciais ou acordos;

Ignorar alternativas de garantia que preservem caixa quando são viáveis juridicamente.

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Entender o que é depósito judicial e como funciona é muito importante para não confundir a garantia processual com o pagamento definitivo.

Efetivamente, o depósito é uma ferramenta para administrar o risco no contencioso, mas exige atenção com relação às regras do tribunal, natureza da ação, prazos e governança para não virar um passivo operacional.

Leia mais sobre recursos judiciais no artigo “Depósito Recursal descomplicado: o que é, como funciona e importância“.

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