HIPERATIVIDADE, DISLEXIA E TDAH – COMO DIFERENCIÁ-LAS?

HIPERATIVIDADE, DISLEXIA E TDAH – COMO DIFERENCIÁ-LAS?

Tempo de leitura:3 minutos

Você certamente em algum momento da sua vida já ouviu falar em Hiperatividade, TDAH ou Dislexia, não é mesmo? Esses transtornos estão sendo muito falados nestes últimos tempos e podem acontecer tanto em crianças e adolescentes, quanto na fase adulta.

Apesar dessas três condições apresentarem sintomas muito semelhantes, elas têm suas diferenças. Pensando nisso, preparamos esse conteúdo para te ajudar a entendê-los e diferenciá-los.

HIPERATIVIDADE

·          O que é:

Trata-se de um transtorno neurológico que causa um estado excessivo de energia, que pode ser motora (física, muscular) ou mental (intenso fluxo de pensamentos). Afeta a parte do cérebro responsável pelo desenvolvimento, provocando disfunções importantes, como atenção, percepção, aprendizagem e interação social, que podem afetar tanto o aprendizado e a aquisição de novas informações, como a conservação desse conhecimento e a sua aplicação.

Por conta de suas características, a hiperatividade pode ser confundida com outras condições como: malcriação, ansiedade, manha ou uma criança enérgica demais. Isso faz com que muitos pais não percebam que há algo de errado. Mas essas atitudes podem expressar um problema muito maior, como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

·          Causas:

Não se sabe, exatamente, quais são as causas da hiperatividade. Entende-se que alguns fatores de risco podem aumentar as chances de o paciente desenvolver a hiperatividade, como uma suscetibilidade genética em interação direta com fatores ambientais.

·          Sintomas:

Por ser um transtorno mais generalizado, a hiperatividade pode se apresentar de forma diferente em cada paciente. Esses sintomas podem ser leves ou exigirem mais suporte para o tratamento da hiperatividade. Mas em síntese, o problema é prejudicial ao desenvolvimento infantil em fases importantes da vida. Sendo assim, observar bem os comportamentos e hábitos é uma forma importante para diagnosticar a hiperatividade.

1.      Inquietação e agitação

2.      Falar demais

3.      Ansiedade

4.      Agressividade

5.      Irritabilidade

6.      Impulsividade

7.      Falta de atenção

8.      Dificuldade de absorver aprendizados, aprender regras e compreender instruções.

A hiperatividade também pode ser motora, ou seja, mais ligada aos movimentos do corpo ou uma hiperatividade mental, quando o paciente sente que não consegue “desligar” os pensamentos e suas ideias e raciocínios são atropelados de forma seguida e desorganizada, causando uma grande dificuldade de concentração.

·          Diagnóstico:

O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado nas queixas da pessoa e em sua história de vida.

·          Tratamento:

O tratamento da hiperatividade é realizado por uma equipe multidisciplinar profissional, composta por médico, psicólogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional. Também é necessário o apoio da família, da escola e, é claro, a disposição da criança. Dessa forma, o paciente é submetido a uma série de atividades para tratar as disfunções causadas pela hiperatividade. Isso traz um resultado mais rápido e eficaz.

TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO COM HIPERATIVIDADE (TDAH)

·          O que é:

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Esses sinais devem obrigatoriamente manifestar-se na infância, mas podem perdurar por toda a vida, se não forem devidamente reconhecidos e tratados.

É o transtorno mais comum em crianças e adolescentes encaminhados para serviços especializados, e pode acompanhar o indivíduo por toda a vida. Afeta de 3% a 5% das crianças em idade escolar e sua prevalência é maior entre os meninos.

·          Causas:

Estudos apontam que o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade é um problema neurobiológico que provavelmente é resultado de uma combinação de diferentes fatores, entre os quais destacam-se os genéticos, ambientais, biológicos e sociais.

1.      Hereditariedade;

2.      Substâncias ingeridas durante a gestação;

3.      Sofrimento fetal;

4.      Exposição ao chumbo;

5.      Problemas familiares.

·          Sintomas:

Esse transtorno é caracterizado pela presença de três tipos de sintomas característicos: desatenção, impulsividade e inquietação. Essa tríade leva ao surgimento de alguns sintomas que podem sugerir a presença desse transtorno.

1.      Crianças e adolescentes: Agitação, inquietação, movimentação pelo ambiente, mexem mãos e pés, mexem em vários objetos, não conseguem ficar quietas (sentadas numa cadeira, por exemplo), falam muito, têm dificuldade de permanecer atentos em atividades longas, repetitivas ou que não lhes sejam interessantes, são facilmente distraídas por estímulos do ambiente ou se distraem com seus próprios pensamentos. O esquecimento é uma das principais queixas dos pais, pois as crianças “esquecem” o material escolar, os recados, o que estudaram para a prova. A impulsividade é também um sintoma comum e apresenta-se em situações como: não conseguir esperar sua vez, não ler a pergunta até o final e responder, interromper os outros, agir sem pensar. Apresentam com frequência dificuldade em se organizar e planejar o que precisam fazer. Seu desempenho escolar parece inferior ao esperado para a sua capacidade intelectual, embora seja comum que os problemas escolares estejam mais ligados ao comportamento do que ao rendimento. As meninas têm menos sintomas de hiperatividade e impulsividade, mas são igualmente desatentas.

2.      Adultos: Acredita-se que em torno de 60% das crianças e adolescentes com TDAH entrarão na vida adulta com alguns dos sintomas de desatenção e hiperatividade/impulsividade, porém em menor número. Os adultos costumam ter dificuldade em organizar e planejar atividades do dia a dia, principalmente determinar o que é mais importante ou o que fazer primeiro dentre várias coisas que tiver para fazer. Estressa-se muito ao assumir diversos compromissos e não saber por qual começar. Com medo de não conseguir dar conta de tudo acabam deixando trabalhos incompletos ou interrompem o que estão fazendo e começam outra atividade, esquecendo-se de voltar ao que começaram anteriormente. Sentem grande dificuldade para realizar suas tarefas sozinhos e precisam ser lembrados pelos outros, o que pode causar muitos problemas no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos com outras pessoas.

·          Diagnóstico:

O diagnóstico é clínico e deve ser realizado por especialistas com base nos critérios estabelecidos pelo DSM.IV (Manual de Diagnóstico e Estatística – IV) da Associação Americana de Psiquiatria.

·          Tratamento:

O TDAH requer um tratamento multimodal, ou seja, uma combinação de medicamentos, psicoterapia e fonoaudiologia (quando houver também transtornos de fala e ou de escrita); orientação aos pais e professores e ensino de técnicas específicas para o paciente compõem o tratamento.

DISLEXIA

A dislexia do desenvolvimento é considerada um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica. Pessoas com dislexia apresentam um funcionamento peculiar do cérebro para os processamentos linguísticos relacionados à leitura. A dislexia compromete a capacidade de aprender a ler e escrever com correção e fluência e de compreender um texto. Em diferentes graus, os portadores desse defeito congênito não conseguem estabelecer a memória fonêmica, isto é, associar os fonemas às letras.

É considerada um transtorno específico de aprendizagem porque seus sintomas geralmente afetam o desempenho acadêmico dos estudantes sem que haja outra alteração (neurológica, sensorial ou motora) que justifique as dificuldades observadas.

A dislexia pode manifestar-se em pessoas com inteligência normal ou mesmo superior e persistir na vida adulta. De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia, o transtorno acomete de 0,5% a 17% da população mundial. No Brasil, 47% dos pacientes avaliados entre os anos de 2013 -2022 foram diagnosticados com esse transtorno.

·          Causas:

A causa do distúrbio é uma alteração cromossômica hereditária, o que explica a ocorrência em pessoas da mesma família. Pesquisas recentes mostram que a dislexia pode estar relacionada com a produção excessiva de testosterona pela mãe durante a gestação da criança.

Sintomas:

Os sintomas de dislexia variam de acordo com os diferentes graus de gravidade do distúrbio e tornam-se mais evidentes durante a fase da alfabetização. Podem estar presentes na linguagem oral, na leitura e na escrita.  Entre os mais comuns encontram-se:

1.      Dificuldades com a linguagem e com a escrita;

2.      Dificuldades com a ortografia;

3.      Lentidão na aprendizagem da leitura;

4.      Dificuldade com a matemática, sobretudo na assimilação de símbolos e de decorar tabuada;

5.      Dificuldades com a memória de curto prazo e com a organização;

6.      Dificuldades em seguir indicações de caminhos e em executar sequências de tarefas complexas;

7.      Dificuldades para compreender textos escritos;

8.      Dificuldades em aprender uma segunda língua;

9.       Dificuldade de aprender rimas e canções;

10.   Dificuldades com a linguagem falada;

11.   Dificuldade com a percepção espacial;

12.   Confusão entre direita e esquerda;

13.   Desatenção e dispersão;

14.   Dificuldade em copiar de livros e da lousa;

15.   Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas etc.

·          Diagnóstico:

Quanto antes o transtorno for diagnosticado, menor será a defasagem escolar e os impactos emocionais da criança com dislexia. É clínico e realizado por uma equipe multidisciplinar composta por médico, psicólogo, fonoaudiólogo e psicopedagogo.

·          Tratamento:

Sendo diagnosticada a dislexia, o acompanhamento deverá ser feito de acordo com as particularidades de cada caso que objetivam auxiliar na superação e adaptação de limitações e dificuldades, visando impulsionar o pleno desenvolvimento.

REFERÊNCIAS:

https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/hiperatividade

https://www.minhavida.com.br/saude/temas/hiperatividade

https://zenklub.com.br/blog/saude-bem-estar/hiperatividade/

https://bvsms.saude.gov.br/transtorno-do-deficit-de-atencao-com-hiperatividade-tdah/

https://tdah.org.br/sobre-tdah/o-que-e-tdah/

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/tdah-transtorno-do-deficit-de-atencao-com-hiperatividade/

https://www.dislexia.org.br/wp-content/uploads/2017/10/ABD-Informa%C3%A7%C3%B5es-estat%C3%ADsticas-2013-a-2021-.pdf

https://bvsms.saude.gov.br/dislexia/

https://www.dislexia.org.br/o-que-e-dislexia/

https://www.dislexia.org.br/como-e-feito-o-diagnostico/

https://www.dislexia.org.br/como-e-feita-a-intervencao/

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/dislexia/https://www.institutoabcd.org.br/o-que-e-dislexia/

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